quarta-feira, 23 de março de 2016

Quando a cultura entra em combustão.


As notícias vêm e vão. O que pode acontecer hoje, poderá acontecer amanhã ou talvez já tenha acontecido. As informações estão presentes, mas não conseguimos absorvê-las. A cultura local cedeu vez a cultura global. Não é preciso guardar mais nada porque há, primeiramente, a escrita para fazer isso. Então depositam a história da língua em museus. Dizem como eram e como é. Há vários museus assim. Mas há um único situado em São Paulo que relata a trajetória da Língua Portuguesa. Tal museu fica situado num prédio histórico. A beleza desse prédio já encanta por si só. E ao agregar um museu é algo extraordinário. O fato de ser um prédio belo onde explora a língua é algo que encanta, fascina. É o passado recorrendo ao próprio passado, transmitindo para o nosso presente o que um dia já foi. 

E um dia se ouve a notícia de que tal prédio pegou fogo. Incendiou-se pela ineficácia humana. Ardeu em brasas devido a um mero descaso do poder público e a uma crise irreal que se instalou no coletivo por causa da ganância individual.

E as notícias soltas pelos veículos de comunicação comemoram dizendo que o museu não perdeu nada. E eu pergunto: “como assim não perdeu nada?” E confirmam “O acervo era todo digitalizado”. 

É, lembro bem disso. Já houve cartas, documentos, pensamentos de diversos escritores. Já houve brincadeira lúdica com os prefixos, sufixos, significados de palavras. Houve também exposições itinerantes de grandes escritores. E por aí vai.

Os jornais afirmam que não perdemos nada. E eu afirmo: “perdemos sim". Perdemos dinheiro para recompor aquela beleza de museu. Senão perdermos nosso dinheiro com o poder público diretamente, perdemos indiretamente, pois as empresas que produzem os produtos que compramos o reformularão (e quem sabe repassarão essa despesa no valor dos produtos?) O período em que ele estará fechado não gerará conhecimento ao público que poderia estar passeando no sábado ou domingo lá, conhecendo e se tornando crítico. E afirmo, perdemos o conhecimento, nos tornamos ainda mais alienados em favor dessa política que sempre tenta passar a perna em nós cidadãos. Perdemos, aos poucos, a nossa cultura, a nossa história e ficamos à mercê dessa elite que nos trata como imbecis... 

Digo isso porque “ontem” foi o Museu da Língua Portuguesa, “ontem de ontem” foi o Museu do Ipiranga, o Memorial da América Latina etc. E com isso arruinamos a nossa história, nossa cultura, a nossa identidade. E até quando ficaremos calados com esse descaso?


Joyce Cristina Leme Gomes
03 de janeiro de 2016

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Língua em combustão


Vida vivida calada, porém sentida. 
Desgraça incinerada sob a falácia. 
Natal. 
Está mal. 
Chove queimada. 
Queima palavras. 
Incendeia ideias. 
As línguas de pedra queimam... 
O descaso da política de outrora, de sempre, todo dia. 
Palhaçada, cai fora. 
Dentro fica, quem se importa. 
Sem inspiração, sem transpiração... 
Com comoção!

Joyce C. L. Gomes
01 de Janeiro de 2016

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